Carreira, Talento e Vocação

Não há como pensar em preparar-se para a vida profissional sem falar sobre vocação, talento e carreira. 

O avanço da tecnologia voltado para saúde e bem estar, com destaque para a medicina no desenvolvimento de vacinas, pesquisas de células tronco, valorização da alimentação saudável (orgânicos, veganos), etc… vêm impactando de maneira especial a longevidade.

Viveremos mais e, consequentemente, teremos ao longo da nossa experiência humana, carreiras longas, e, ou, mudanças de carreira. Quer seja, porque o que fazemos muda e se diversifica e precisamos nos atualizar, quer seja, pelo nosso desejo de mudança e necessidade de nos dedicarmos a outras funções.

Vocação provém de vocar, chamar, refere-se ao chamado divino, a ideia de ser chamado à existência e cumprir uma missão pessoal nela.

Quando falamos em orientação vocacional, temos de saber que a vocação não nasce mas faz-se, constrói-se subjetiva e historicamente em interação com os outros e segundo oportunidades familiares e disposições pessoais. Essas são questões extremamente relevantes no processo. Então, quando falamos em “escolha” sabemos que ela não é arbitrária, totalmente “livre” mas determinada, como toda a atividade psíquica.

Já o Talento, segundo Donald O. Clifton, é qualquer padrão recorrente de pensamento, sensação ou comportamento que possa ser usado produtivamente. Assim, se você é instintivamente curioso, isso é um talento. Se é competitivo, isso é um talento. Se é sedutor, isso é um talento. Se é responsável, isso também é um talento. Portanto, se você conseguir utilizar os seus pontos mais fracos, como por exemplo a ansiedade, produtivamente, isso deve ser reconhecido como um talento.

Essa compreensão, muda tudo não é mesmo? Ela nos sugere que nada, absolutamente nada do que somos pode ser desprezado quando falamos de aptidões e habilidades. Tudo pode ser utilizado de forma eficiente. Toda a energia pode ser bem canalizada e podemos tirar proveito de quem nós somos, desde que, saibamos com a maior precisão possível, quem nós somos e como somos.

A escolha de um caminho profissional ou carreira se faz considerando um conjunto complexo de variáveis. Um dos componentes é a nossa identidade: sou o que faço, me defino na e através da tarefa que realizo. Como diz Michel Arthur, Carreira é o caminho que cada um de nós escolhe para encontrar o significado de nossas vidas.”  Então, se a carreira é fator determinante do significado de nossas vidas, ela tem uma importância maior do que qualquer um de nós pode imaginar…Vida sem significado, não é vida…

Segundo Wilhelm Reich, “Amor, trabalho e conhecimento são as fontes de nossa vida. Deviam também governá-la”. Considerando esse aspecto é preciso cuidarmos do que fazemos da nossa trajetória profissional para que ela seja fonte de prazer e vida.

Todo esse caminho pode ser construído e alterado várias vezes ao longo da nossa vida e, provavelmente, passaremos por muitos momentos de transição.

No apoio a transição, nosso papel é atravessarmos juntos, fortalecendo, amparando e descobrindo as verdadeiras forças que movem nossas vidas.

Como a borboleta, estamos sempre em algum estágio de atividade: 

1º estágio : Onde a ideia nasce, mas ainda não é uma realidade, é o estágio do ovo, o ponto de criação de uma ideia; 

2º. estágio: Da larva, é onde temos que tomar uma decisão; 

3º. estágio: Do casulo, é o desenvolvimento do projeto, é fazer para realizar; 

4º. Estágio: É a transformação, é deixar o casulo e voar, é a realização!

Quando penso nesses momentos, a única coisa que me vem à cabeça é que temos de viver a transição de forma leve e tranquila, com a convicção que chegaremos ao nosso objetivo e isso me faz lembrar o poema declamado por Mandela no filme Invictus:

A Natureza do Ser e o Destino

O que for a profundeza do teu ser,

assim será teu desejo.

O que for o teu desejo,

assim será tua vontade.

O que for a tua vontade,

assim serão teus atos.

O que forem teus atos,

assim será teu destino.

                  Brihadaranyaka Upanishad IV, 4.5

Portanto, se conheça, aprofunde-se em você mesmo, se descubra! Não importa se você é um jovem talento ou um talento grisalho, o que verdadeiramente importa é que você é especial e sua luz deve brilhar!

Para, Edgar Werblowsky, criador do Fórum Talentos Grisalhos, patrocinado pela FGV-SP em 2018, a contribuição individual para a sociedade não pode e não deve parar aos 60. Diz ele: “Aposentar é jurássico. Este termo não nos serve mais. Não queremos ficar “no aposento”. O negócio agora é repactuar. Repactuar com a vida”.

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