É possível termos e mantermos a paciência nos dias de hoje?

Há algum tempo venho estudando alguns temas como generosidade, gentileza, gratidão, paciência, persistência, compaixão, dentre outros.

Em um mundo extremamente incerto, volátil, complexo e hiperconectado (leia mais sobre Complexidade e Necessidade de Transformação nos Negócios clicando aqui)  como cultivar algumas virtudes que mantém e assegura nossa humanidade?

“A paciência de esperar é possivelmente a maior sabedoria de todas: a sabedoria de plantar uma semente e esperar a árvore dar frutos.” John Macenulty

A paciência é a habilidade ou virtude que mais nos prepara para a vida adulta e profissional. Tenho percebido que a paciência está presente, e é necessária, em todos os segmentos de nossa vida.

Para começar, temos de esperar, geralmente, nove meses para nascer. Quando nascemos antes do tempo, muitos cuidados são necessários para garantir uma vida saudável, longe das complicações de um parto prematuro. Podemos concluir que temos de ter paciência antes mesmo de vir ao mundo!

A paciência é uma virtude e como toda a virtude, pode ser desenvolvida, desde que saibamos atribuir valor a ela e entender o que ganhamos quando a praticamos.

Eu percebo, na minha área de atuação e no convívio diário com as pessoas, que perdemos a paciência muito facilmente e com isso desistimos das coisas e das pessoas. Essa é uma armadilha da qual devemos fugir. A natureza não dá saltos. Há tempo para tudo na vida. Tempo para plantar e tempo para colher. Se soubermos respeitar o tempo exato das coisas, muita colheita boa teremos pela frente.

Como manter e desenvolver um relacionamento afetivo, um casamento, relacionamentos saudáveis no trabalho e com os filhos, sem paciência?

A ausência dessa virtude, em muitos casos,  impede que relacionamentos se desenvolvam, que promoções aconteçam e que pessoas se curem de suas enfermidades.

Quando pensamos no desenvolvimento de uma profissão, por exemplo, sabemos que somente com muita dedicação conseguiremos a realização de nosso potencial pleno . Um pesquisador da Universidade da Flórida descobriu que, em média, são necessários dez anos de prática para adquirir a peripécia de um especialista. Em uma recente pesquisa sobre excelência, envolvendo aproximadamente dois milhões de pessoas, o Instituto Gallup, chegou a conclusão que as pessoas que se sobressaem conhecem seus pontos fortes e investem neles. Isso demanda tempo, dedicação e muita paciência, concorda?

A paciência está muito associada à persistência. E persistir, por sua vez, é totalmente diferente de insistir. O persistente, assim como o insistente, não desiste de seus objetivos, a grande diferença entre eles é que o persistente inova nas suas tentativas, tenta sempre de formas inovadoras e criativas, chegar à sua meta (assista o vídeo sobre a diferença entre Persistir e Insistir clicando aqui).

Concordo com Gustave Flaubert que afirma que uma pessoa talentosa é dotada de uma grande paciência.

Eric Hoffer, ao descrever talento afirma que: ” Na essência de cada verdadeiro talento há uma consciência das dificuldades inerentes a qualquer realização e uma certeza de que com persistência e paciência algo importante será realizado. Portanto, o talento é uma espécie de tenacidade.”

Quantas vezes, recaímos de nossas doenças por falta de tempo para o devido repouso e falta de paciência com o tempo exato de recuperação? Recentemente fui submetida a uma cirurgia e o cirurgião foi bem claro ao afirmar que o pós operatório era a fase mais importante do processo porque uma das coisas mais comuns que existem são as complicações de pós operatório pela falta do devido repouso, tempo necessário para o organismo se recuperar totalmente. Uma recaída pode levar à necessidade de outras cirurgias e isso pode colocar em risco a vida do paciente.

Geralmente, associamos a paciência ao estado de calma. Em certo sentido temos razão. Quando pensamos em uma pessoa paciente, pensamos em alguém calmo e sereno, mas isso não tem nada a ver com agilidade ou rapidez para concluir uma tarefa. Quer apenas dizer que não devemos colocar “o carro na frente dos bois”, se é que você me entende…

Quanto mais exercitamos a paciência mais calmos conseguiremos nos sentir e quanto mais calmo me sinto, melhor consigo avaliar a situação e me posicionar de maneira mais satisfatória na hora de agir, ou seja, passo a ser uma agente, controlador do meu destino e do curso da história…Pelo menos em parte…

M.J.Ryan, em seu livro sobre paciência, nos diz que ” Se tivermos paciência, enfrentaremos a vida da seguinte maneira: algo está acontecendo, e o resultado pode ser tanto ruim quanto bom. De qualquer forma, o importante é saber lidar com ele. Ficar estressado ou nervoso prejudicará nossa ação.”

Se assim é, “bora lá” buscarmos mais paciência para enfrentar os revezes dos dias atuais e as adversidades que se apresentam. Porque não nos basta sermos resilientes, precisamos nos munir de todas as armas/virtudes para expulsar o mal que primeiro reside em nós mesmos. O primeiro remédio é a paciência e a persistência.

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