Relações Interpessoais no Trabalho e na Família

SUITS – Além de ser uma série muito inteligente, com uma trama muito bem construída, nos garante grandes e preciosos “insights” para o tema das relações interpessoais e os diversos conflitos no trabalho.

Trata-se da história de um grupo de advogados que trabalham sob o comando de Jéssica Pearson, vivida pela atriz norte americana, Gina Torres. O grupo liderado por ela, se intitula de ” família” para justificar a relação emaranhada, afetiva e cheia de altos e baixos que permeia toda a trama.

Assistindo essa série, pude perceber o quanto, com frequência, as pessoas se dedicam tanto ao trabalho que acabam por transferir suas expectativas de amor e aceitação, muito comuns no meio familiar, para o ambiente corporativo.

O desejo, muitas vezes inconsciente, de se tornar mais que um ” crachá” faz com que a empresa vire ” a mãe” e o ambiente de trabalho ” a casa”. O tempo todo podemos perceber isso em SUITS. E isso não acontece por acaso, o grande risco é quando os interesses pessoais ou organizacionais já não correspondem às expectativas geradas.

Considerando ambientes tão intensos como o meio corporativo e a família, o que não faltam são os conflitos decorrentes das relações interpessoais.

Virgínia Satir (psicoterapeuta norte americana) desenvolveu a teoria dos 5 papéis familiares e esses papéis podem ser chamados de ” posturas” quando examinados fora do contexto familiar. Essas posturas ou papéis aparecem de modo mais evidente quando as pessoas não conseguem expressar seus sentimentos, pensamentos, afetos e ideias de uma maneira clara e direta.

Essas posturas são:

1- Acusador – Membro que aponta erros, falhas, enganos e problemas.

2- Apaziguador – Indivíduo que coloca ” panos quentes” nas brigas e desentendimentos sem resolver a situação em questão.

3- Computador – Aquele que tem a tendência de se fechar em seu mundo como um ” intelectual distante”, não se sabe o que ele sente ou pensa.

4- Distraidor – Aponta para todos uma forma de não olhar para a dificuldade em questão, seja fazendo piada ou trazendo elementos de fora do contexto do conflito.

5- Nivelador – Comunica-se de forma sincera, aberta e compreensiva. Busca uma maneira de melhorar o que quer que esteja causando o problema.

Para Satir, ” Cada palavra, cada expressão facial, cada gesto ou ação dos pais dá à criança uma mensagem sobre o seu próprio valor. É triste que tantos pais não percebam a mensagem que estão enviando.”

O mesmo se aplica para as lideranças no contexto das empresas. Muitas vezes, citando o nosso exemplo em SUITS, Jéssica Pearson, oscila entre as 4 primeiras posturas e , raramente, se posiciona como “Nivelador”.

Para a construção de indivíduos mais fortes e empresas mais competitivas, é preciso estimular a autonomia, a vida fora do ambiente corporativo, a responsabilidade e o protagonismo na carreira. Assim como, para termos filhos mais autônomos e maduros, precisamos estimulá-los a fazer amigos, a praticar esportes, a ter namorados (as), a ter vários grupos fora da família pois isso ajuda a construir o senso crítico e estabelecer alicerces mais sólidos para enfrentar a vida.

Isso tudo pode aumentar a possibilidade de novos conflitos, à medida que novos horizontes se abrem, mas traz consigo a oportunidade de crescimento para todos os envolvidos.

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